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TOXOPLASMOSE: A DOENÇA MAL ENTENDIDA

Desinformação colabora para o aumento dos índices de Abandono de gatos
Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a toxoplasmose, também conhecida como doença do gato, não é transmitida somente por felinos. Um estudo publicado pelo professor do departamento de medicina veterinária preventiva da UEL, Italmar Teodorico Navarro, informa que o Toxoplasma gondii, nome científico da toxoplasmose, encontra-se distribuído mundialmente também nas espécies suínas, bovinas, ovinas e eqüinas. Há 3 formas de uma pessoa ser infectada:
  1. Infecção transplacentária
  2. Ingestão de alimentos ou água contaminados com oocistos esporulados de fezes
  3. Ingestão de carne crua ou mal-cozida contendo cistos teciduais
Embora raras, existem outras vias de transmissão citadas na literatura especializada, como transfusão de sangue, transplante de órgãos para receptores não infectados e acidentes de laboratório.
Apesar de existirem essas diferentes formas de transmissão da doença, a forma mais popularmente conhecida é a de transmissão através dos gatos. Transmissão esta que pode ser perfeitamente evitada.
O gato para estar infectado precisa ingerir cistos contidos nos tecidos dos hospedeiros intermediários, principalmente pequenos mamíferos e pássaros, para depois expelir no ambiente. Mas as fezes do gato contém apenas os oocistos e para se tornarem infectantes é preciso de 1 a 5 dias após a excreção (dependendo das condições do ambiente). Sendo assim, as fezes frescas não transmitem toxoplasmose.
Os gatos quando re-infectados geralmente não voltam a excretar oocistos, pois desenvolvem imunidade devido à primeira infecção. Foi provado que essa imunidade pode durar por até seis anos em cerca de 55% de gatos sob condições experimentais.

Também é improvável que os pêlos, a mordida ou a arranhadura do gato transmitam a doença. Uma vez infectado, o homem tanto pode apresentar sintomas de gripes, como o de doenças debilitantes e até fatais, dependendo de fatores imunológicos e genéticos de cada um.

A comerciante Letícia Werneck conta que há mais de um ano apareceu um caroço grande na base da cabeça do seu marido: “Entramos em pânico e fizemos vários exames. Até que o clínico enfim detectou que era nada mais nada menos do que toxoplasmose. Até aí tudo bem. O caroço desapareceu com o tempo. Ele nos disse que não era preciso fazer nada, que provavelmente eu também estaria contaminada, mas que era uma questão de tempo para ficarmos bons. Meses depois resolvi fazer todos os exames de praxe para tentar uma possível gravidez e lá estava ele, o toxoplasma! Meu ginecologista pediu que eu consultasse um infectologista para me certificar dos possíveis riscos, etc”.
Quando uma mulher grávida adquire a infecção pelo T.gondii pela primeira vez, o parasita pode infectar a placenta e, então, o feto. Isso pode causar aborto, natimorto, seqüelas neurológicas, desordens oculares e infecções subclínicas. Se a mãe estava cronicamente infectada antes da gestação, considera-se que o feto estará protegido da infecção. O feto só é afetado com a toxoplasmose no período inicial da doença, que obedece a um ciclo decrescente. Ou seja, o nosso próprio organismo vai “se curando” e depois disso é como se ficássemos vacinados.
Estatisticamente o número de pessoas que já entraram em contato com o Toxoplasma gondii é muito grande, a toxoplasmose é uma doença universal, sem preferência de sexo ou raça, estimando-se, segundo a Secretaria de Estado da saúde Instituto de saúde do Paraná, que de 70% a 95% da população estão infectados, ou já entraram em contato com o protozoário.

O médico de Letícia informou que para ela ter adquirido a doença dos gatos – o período de maior transmissão é na infância (0 a 4 meses) – seria preciso que ela levasse fezes ou a mão suja de fezes até a boca. Por isso, a comerciante acredita que ela e o marido foram infectados através de carne mal-passada.

Já a professora Elaine Andrade Carvalho dos Santos foi pega de surpresa. Ela ficou sabendo que tinha tido contato com o T.gondii perto do seu casamento, quando fez os exames pré-nupciais, em que estavam incluídos os de toxoplasmose. Embora não apresentasse nenhum sintoma, a médica pediu um outro exame, em que a toxoplasmose se confirmou. A professora foi orientada a voltar depois da lua de mel para um acompanhamento da evolução do caso, já que ela não havia desenvolvido a doença e tinha apenas entrado em contato com o toxoplasma, não tendo motivos para se preocupar. A vida nova e a adaptação fizeram com que Elaine não se preocupasse mais com a toxoplasmose. Mas a médica a aconselhou a tomar alguns remédios antes de engravidar; como isso ainda não fazia parte de seus planos, acabou ficando para mais tarde.
“Os médicos deveriam ler tudo o que há sobre a toxoplasmose antes de falar o que falam aos seus pacientes, pois tenho certeza de que muitas pessoas jogam os seus gatos fora, dizendo que o médico mandou. Os meus gatos nunca tiveram toxoplasmose, enquanto eu e minha irmã temos, e ela já é mãe, de um bebê hiper saudável”, conta Elaine.
Para desbancar aqueles que não acreditam que o principal meio de contágio atualmente é a carne crua ou mal passada e verduras mal lavadas, água e alimentos contaminados, Elaine explica que mandou fazer exames nos seus gatos e o resultado foi negativo.

Tentando fugir do risco da contaminação ela diz que já visitou cozinhas de restaurantes, verificando as condições de higiene. Mas ela reconhece que não é na cozinha que a carne de vaca ou de boi irá se contaminaar e sim no pasto, chegando ao consumidor final já contaminada. Na cozinha a melhor forma de prevenção é cozinhar bem os alimentos.

Há também como prevenir a contaminação dos gatos, pois eles só são infectados quando se alimentam de carne crua (o que demonstra mais uma das vantagens de oferecer-lhes alimento industrializado).
Qualquer pessoa que queira saber se tem ou já teve toxoplasmose, basta procurar um médico para que ele solicite os dois exames de sangue, um que detecta se a pessoa já teve e outro que detecta se ela está com a toxoplasmose. Esses exames são muito importantes para as mulheres que querem engravidar, pois se ela já teve e passou do período crítico, ela está livre do risco de passar a doença para a criança. Mas, mesmo nesses casos, os médicos recomendam um tratamento de dois meses para fortalecer o organismo e garantir que o futuro bebê não corra nenhum risco.
Enfim, o tema é controverso e cercado de muitos mitos e preconceitos gerados pela pura falta de informação. A toxoplasmose, claramente, não é mais um pretexto para se livrar dos gatos, a não ser que a intenção já exista antes mesmo da doença e, neste caso, até uma simples sarna poderia ser motivo para se desfazer do animal.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO PARA A TOXOPLASMOSE
  1. 1- Não ingerir carne crua ou mal passada
  2. 2- Lavar bem as mãos e os utensílios de cozinha, com água morna, após a manipulação de carne crua
  3. 3- Evitar atividades de jardinagem ou o contato direto com a terra, ou usar luvas durante essas atividades e lavar as mãos logo após.
  4. 4- Lavar cuidadosamente frutas e verduras antes de ingeri-las
  5. 5- Trocar as caixas de areia dos gatos diariamente (antes dos oocistos esporularem)
  6. 6- Evitar caixas de areia de praças públicas
  7. 7- Não alimentar seus gatos com carne crua ou mal passada
  8. 8- Manter os gatos dentro de casa para que evitem o hábito da caça
  9. 9- Combater os agentes mecânicos (baratas e outros insetos)
Reportagem tirada da Revista O Pulo do Gato. Ed. 18
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